...

O choro é uma forma de sofrimento que sai pelos olhos de forma líquida e irrefreável. E justo naquele dia a menina-moça-quase-mulher esforça-se em vão para conter o pranto. “Mas é que dói”, repete para si, tentando justificar o porquê do ato.


Há dois dias entrou para um negócio da China com o então namorado: ele com o pé e ela...com a bunda. E quando lembra o que aconteceu, instantaneamente, sente pontadas no peito. E no mesmo instante elas rolam, bojudas e alucinadas pela face. Sente, nesta hora, que aconteceu com seus sonhos o mesmo que acontecia com os castelinhos que construía à beira da praia quando era um pouco menor. Enchia as mãos daquela areia, que não era nem ensopada pela água e nem ressecada pelo sol, a “areia meio-termo”, e deixava que as porções daquela mistura perfeita escorressem por um pequeno orifício formado pela mão e então via crescer e tomar forma um belo monumento. Gostava tanto de fazer aquilo que nem percebia quando a maré, sorrateira, subia de mansinho e, de repente, em uma mísera onda destruía o trabalho de muitos minutos. Sentia raiva do mar, mas ela não sabia que o mar não tinha culpa. Era da sua natureza formas ondas que vão e vem ao sabor dos ventos. Também não entendia de onde vinham os ventos, mas entendia o que sentia. Depois a raiva passava e ela continuava a contrui-los.


Agora, com o fim do romance, se sente como quando era garotinha: sente raiva, mas ainda não está pronta para entender a natureza dos homens, nem das paixões, nem dos finais. Ainda precisa aprender, e refazer a lição para finalmente entender como funciona este mundo.


São apenas dois dias na condição de ex. “Vou pensar nele menos amanhã, menos depois de amanhã e quando eu me der conta já não terei pensado um dia todo”. E assim faria. Mas hoje não ia ser possível. Não dava para pular os dias do impiedoso calendário e só de lembrar que dia era sentia mais raiva ainda porque não podia escapar: era 12 de junho e ela estava sem namorado.



Escrito por Kel às 17:34
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Sina

 

São 18:15 e Lídia está com o celular na mão na porta de casa. Comprou roupa nova, sapato, fez escova no cabelo, passou perfume e agora espera um telefonema do Evaristo. Os pés doem um pouco por causa do salto altíssimo (pediu para o atendente da loja a bota com o maior salto da loja e ela comprou) mas vai agüentar firme. Está nesta posição há mais ou menos 25 minutos. Mal sabe a moça que ficará assim por muito tempo ainda. Simplesmente porque o seu amado esqueceu-se do programa que havia marcado com ela e saiu com os amigo para ver o futebol no boteco. E ela tenta, em vão, falar com ele. O celular dele foi esquecido (?) no carro.

Por volta das 20:00, depois da coitada da mãe da Lídia implorar para que ela se sentasse, ela resolveu mais: não ia desperdiçar a produção, ia sair também. Ligou para Damiana e disse que iria passar na casa dela em 15 minutos. De fato, nestes exatos minutos encontrou a amiga já terminando a produção. De lá, seguiram para um barzinho. Forçou-se a beber (não era disto), enquanto contava à amiga o que tinha se dado com ela. Damiana ouvia tudo, rindo às vezes da inocência da amiga. “Os homens são assim mesmo”, consolava. Mas Lídia estava antes de mais nada puta da vida. Onde já viu uma desfeita desta? Que não combinasse nada, então. “Há quanto tempo você conhece o Evaristo?”. “Quando foi que ele cumpriu à risca o que combinou contigo?”. E ao ouvir isto Lídia se deu conta que há exatos 3 anos sua rotina era essa: esperar, esperar, esperar...Damiana bem que tentava fazer a amiga tomar uma atitude. Mas pensa que é fácil? Lídia apenas cumpria o destino de muitas representantes deste sexo. Decidiu parar de beber e ir para casa. Precisava voltar para casa. O jogo ia acabar e Damiana queria terminar mais aquele drinque. Quase arrancou o copo da mão da amiga. Saíram voando do bar. Precisava estar em casa o mais depressa possível. Vai que o Evaristo passa lá mais tarde?



Escrito por Kel às 12:05
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Formatação

 

Preciso de um técnico com urgência. Tenho de formatar minha máquina.

Jogar fora os arquivos antigos que não me servem de nada, a não ser para me trazerem dor.

Necessito excluir programas instalados desde que a máquina funciona. Não preciso deles. Foram úteis num curto período de tempo. Agora, só servem para ocupar espaço nesta memória.

Minha máquina não pode estar tão obsoleta a ponto de não agüentar tal processo.

Preciso com urgência de um técnico. Quero começar este processo ontem.

Queria também um antivírus. Mas para este mal que acomete minha máquina, temo que não haja antídoto.

 

Impressões

Virei caricatura de mim. Aos olhos alheios não passo de uma farsa.

Pode ser. Mas se assim for, acostumei-me tanto ao papel que não conseguirei ser mais a outra. Ou esta que aqui está é a verdadeira, apenas maquiada com fragmentos alheios?

 

Não se consegue nada de bom sem sofrer.

Salve Pagodinho, o mestre.

 

Estou há três noites sem dormir ou há três dias tentando viver?



Escrito por Kel às 15:14
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