O ciso

 

Como esperar juízo de uma garota que aos 20 anos já não tinha mais os quatro cisos? O que restava era rezar para que as sementes do tino, jogadas ao léu pelos pais e entes, tivessem encontrado acolhida no solo fértil (crianças não têm mentes férteis?). Mas depois de tantos anos, quanto mais teria de ser esperado? Já contava 28 voltas ao redor do sol e nada de semente dar sinal de virar árvore, arbusto, planta...não virava nada. Talvez tivesse virado um tubérculo. Aí não tinha mesmo como nego ver nada. Mas ela via. E não gostava de jeito nem qualidade alguma. Achava tudo tão ultrapassado, obsoleto. Talvez se vivesse nos anos 20 aquilo seria perfeito. Mas agora? Tudo balela. Menina casar virgem? Piada da boa! Mulher trabalhar em casa? Ah, qual é? “Minha mãe é uma completa xarope”. A onda agora era dar para todos que se tivesse vontade, assim se um dia acontecesse de juntar os panos de bunda com o de outrém saberia bem o que esperar do safardana (vixe, essa expressão é do tempo da minha mãe...) Vida profissional era algo para se levar a sério, estudar muito, aprender coisas novas sempre. Família é que nem dente, mas de vez em quando morde a língua. Legal, né? E a seu modo, seu juízo foi se moldando da forma que dava, da maneira que achava certo. E quem é que ousa dizer que ela está errada? Eu me junto ao coro. Mais alguém?

 

O ciso II

 

Balada em São Paulo. Quatro solteiras filhinhas-de-papai dispostas a botar pra quebrar. Antes uma turbinada: um ecstasy pra casa uma, um copo de whisky, colírio nas íris (cada uma de uma cor) e balas de hortelã. Apostas nas respectivas carangas, rumam para a casa noturna do momento. Uma, logo de cara, cai na pista de dança e de lá nos braços de um playboy. “Gata, vamos fazer isso ferver”. Um "tiro" no banheiro e a garota só pensa em voar...Duas se empolgam e se agarram no meio da pista. “Está na moda. Talvez elas precisem de ajuda”. Outros dois mauricinhos se juntam e tudo vira quase uma suruba. Saem de lá para a mansão de um deles e acabam a noite numa cama, sem roupa e babando colorido. A última do quarteto fica bebendo no bar, conversando com o barman. As amigas dizem que Detinha tem queda por gente da plebe. Vai embora com o rapaz. Uma conversa tão boa que...ah, melhor não forçar a barra. Hoje não vai acabar em sexo. Deixa o moço em casa, no Jardim Elisa Maria, periferia de Zona Norte de São Paulo. Um beijo no rosto. “Minha mãe gostaria de saber que hoje tive juízo”. Mas era só uma noite. O amanhã sempre vem...não vem?



Escrito por Kel às 10:47
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