Estréia

Foi mais ou menos assim...

 

Desde as primeiras horas da manhã daquele dia, dona Maria Edileuza sente algumas dores na região do ventre. No auge de seus 34 anos ela espera seu segundo bebê. Com esta idade é considerada “idosa” para ter um filho. No ano em questão, qualquer mulher com mais de  30 anos de idade é considerada velha para ser mãe e a gravidez classificada como de risco. E para melhorar a situação, dona Edileuza sequer respeitou o resguardo. Voltou da licença-maternidade grávida. Isso mesmo: do nascimento do primeiro filho à segunda gravidez não decorreram nem 3 meses. A explicação foi que ela não podia tomar pílula enquanto amamentava, e seu Salvador não perdoou.

Estamos em 1981 e nem ela, nem o marido puderam pagar por um exame de ultrassonografia para saber o sexo da criança. Como não o casal não dispõe de muitos recursos, mesmo que a criança seja outro menino, dona Edileuza vai ter de se conformar em passar pela vida sem saber o que é ter uma filha mulher.

Levantam-se da cama. É domingo e toda a família se prepara para o batismo de Luis Fernando, primeiro filho do casal. A cerimônia está marcada para as 10 da manhã. Assim que acabar o sermão do padre, todos irão para a casa da irmã de dona Edileuza para um churrasco de comemoração.

Já na igreja, dona Edileuza sente que está chegando a hora de trazer ao mundo seu segundo rebento. Comenta com Salvador que está sentindo muitas dores e que não tarda para ele ter de levá-la ao hospital.

No altar, a futura mamãe se contorce de dor, mas agüenta firme. Precisa batizar o menino. Terminada a cerimônia, é hora de ir ao hospital, mas não sem antes ligar para o obstetra e avisar que a criança está para nascer. Novidade no front: o doutor está na praia aproveitando os últimos dias de calor com a esposa. Garante que chegará a tempo e pede para que o casal se encaminhe à maternidade.

Chegando lá, dona Edileuza é colocada no soro para agüentar até a chegada do médico. Mesmo com as contrações, a mulher não tem dilatação suficiente para dar à luz por parto normal. Terá de ser uma cesária. O bom é que já com a barriga aberta fica mais fácil ligar as trompas. Só resta rezar para que seja uma menina. O casal quer tanto...

Uma da tarde o médico chega ao hospital. Corre para a sala de cirurgia e encontra a paciente já anestesiada.

-         A senhora sabe, dona Edileuza, que a ligação de trompas é irreversível?

-         Sei, sim senhor.

-         E se este bebê que acaba de nascer for um menino?

-         Paciência...não posso ter outro filho.

-         Felizmente a senhora é uma mãe de sorte. É menina!

-         Graças a Deus...(e chora)

Era dia 19 de abril e o mundo era testemunha do nascimento desta que vos escreve.

 

Parabéns pra mim.



Escrito por Kel às 10:20
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