A saga de Elvira - final (ufa!)

Uma das moças que cuidavam da faxina do motel sentou-se ao seu lado e perguntou o que ela tinha. “Buáááááá....eu não sei o que eu faço. Buaááááá....eu queria dar, mas agora não quero mais. Buaáááá...acho que não estou boa, tô meio bêbada...Buaááá”. Chorava feito criança que perdeu o doce. Outra senhora sentou-se ao lado de Elvira. E a coisa ficou assim: uma dizia para que ela fosse embora, que se não tinha certeza do que queria, que era melhor esperar. A outra a encorajava a ficar, falava pra ela: você já está aqui mesmo, agora aproveita. Que maravilha! Tudo que Elvira precisava naquele estado era de um conflito de idéias de fora. Como se seu próprio dilema interna não fosse suficiente. 

 

Nessa hora Everaldo bateu à porta querendo saber de Elvira. Ela foi até lá, depois de secar as lágrimas, e ouviu dele que chegara a vez do casal. Sentia-se indo para o matadouro, mas seguiu em frente. Não tinha muito mais o que fazer a não ser aceitar o seu destino. Destino este que ela mesma tramou.

 

Então ela entrou no carro e tentou dizer a ele que não se sentia bem, que preferia ir embora, deixar a coisa toda para outro dia. Mas a língua de Elvira, a esta altura, já estava bailando tango dentro da boca. Everaldo devia estar querendo muito a moça, porque não dava para não perceber o estado em que se encontrava. Ainda mais quando ela precisou de ajuda para sair do carro e subir as escadas do quarto.

 

Quando Everaldo abriu a porta, a única coisa que Elvira conseguiu fazer foi se jogar na cama, de bruços, e deixar que sua cabeça rodasse. Ele a arrumou na cama, de modo a não deixar as pernas para fora. Aconselhou que ela fosse até o banheiro e escovasse os dentes, jogasse uma água no rosto, que logo ia se sentir melhor. Ela descalçou os sapatos e foi até lá. Sentou-se na privada e acordou, uns bons minutos depois, com Everaldo batendo à porta perguntando se ela estava legal.  Ela murmurou algo como “preciso de um sal de fruta”. De volta à cama, uma cena engraçada: Everaldo estava nu, mas ela mal viu seu belo corpo. A vista embaçada e multiplicada, fazia com que vários Everaldos estivessem querendo comê-la. Jogou-se de novo na cama, desta vez de barriga pra cima e então Everaldo percebeu que a coisa era séria...

 

-         Você não queria saber como era um motel (Elvira havia contato a ele, numa sessão de amassos, que era virgem e queria muito conhecer o lugar)? Então, olha só! Tem botão pra luz, pro som, pro ar...Anda, Elvira, levanta. De nada adiantou. Quando o sal de fruta e a soda chegaram foi batata: o líquido entrou e na hora quis sair, trazendo consigo as doses de uísque com água de coco. Começou a vomitar incessantemente no banheiro. Percebendo que estava um pouco mais consciente, Elvira voltou ao quarto e disse claramente que queria ir embora. Everaldo já estava vestido e com uma cara de quem não comeu e não gostou. Afinal de contas ele ia pagar o motel sem nem ao menos ter experimentado aquela carne morena. Estava mais do que puto, estava indignado.

 

Elvira entrou no carro e voltou a vomitar. O caminho até a casa da tia foi um martírio, porque parecia que seus órgãos queriam todos sair pela boca e de uma só vez. Chegando na casa da tia, alta madrugada, desceu do carro, mal se despediu de Everaldo com medo de que o bafo de azedo o deixasse mais injuriado e entrou. Jogou-se no sofá de roupa e tudo e ferrou no sono.

 

Na manhã de domingo lembrou-se aos poucos do acontecido. Tinha vontade de rir, tinha vergonha, mas até que estava aliviada. Pensava que realmente não era para ser com Everaldo e pronto. Contou o ocorrido para a tia, as primas e a mãe na hora do almoço. Todas riram de desopilar o fígado.

 

Um ano depois Elvura conseguiu seu feito: livrou-se da virgindade com o primeiro namorado, exatamente como ela tinha imaginado. Só que num drive in. Nem tudo é como a gente sonha.



Escrito por Kel às 11:04
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Histórico
19/06/2005 a 25/06/2005
12/06/2005 a 18/06/2005
05/06/2005 a 11/06/2005
29/05/2005 a 04/06/2005
15/05/2005 a 21/05/2005
08/05/2005 a 14/05/2005
01/05/2005 a 07/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
17/04/2005 a 23/04/2005
10/04/2005 a 16/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
20/03/2005 a 26/03/2005
13/03/2005 a 19/03/2005
06/03/2005 a 12/03/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
13/02/2005 a 19/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
05/12/2004 a 11/12/2004
28/11/2004 a 04/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
31/10/2004 a 06/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
R A B I S C A N D O
MBrettas
Pequenas Epifânias
Empty
O Fantástico Mundo de El Cid
Escucha-me Porra
Moacir Caetano
AtrAvÉs de MiM
what is lost....is lost.
E TENHO DITO!
Sociedade Alternativa II
Breves Histórias Cotidianas
atire a primeira pedra