A Saga de Elvira - parte II

      -         Oi...tudo bem?

-         Oi! E aí?

-         Eu liguei...pra....sei lá, se você não tiver outro compromisso, é claro...pra gente...sei lá, se ver...

-         Nossa, isso é um convite?

-         É...quer dizer, você aceita se estiver a fim.

-         Combinado. Passo aí às 22h para te pegar.

Na hora marcada lá estava o Palio na porta da casa da tia. E a boa senhora dava o maior apoio para aquele namoro. Antes de Elvira sair, disse em tom de brincadeira para que não aprontasse nada, mas que se resolvesse o contrário que usasse camisinha. Não era a toa a tia que era sua parente mais querida.

 

Foram para a casa dele. Ela pensava, antes de entrar no apartamento: “se ele pensa que vai me comer aqui, está muito enganado. Minha primeira vez vai ser num motel, pelo menos”. Subiram e ele logo ofereceu um drinque à Elvira, que aceitou. Ela achava que se não estivesse devidamente alcoolizada não teria coragem de tirar a roupa e abrir as pernas para um homem (felizmente certas coisas melhoram bastante com o tempo).

 

Ele olhou bem nos olhos dela e perguntou o que ela gostaria de fazer. Sem responder, Elvira tascou-lhe um beijo que só não o fez tirar as calças ali mesmo porque ela disse que “queria dar uma volta”. Everaldo entrou no chuveiro, depois de tomar a terceira dose com ela. Ainda assim Elvira se sentia vacilante. Com o rapaz já no banheiro, entornou mais duas garrafinhas de licor, daquelas servidas em hotel e sentou-se. “Agora, sim! Chegou a hora”.

 

Everaldo saiu do banho rapidinho, meio que prevendo outro dentro de poucas horas. Foram para o carro e ao sentar no banco do passageiro Elvira percebeu que não estava bem.

 

O carro rodava pelas ruas e a cabeça dela dava piruetas. Everaldo falava com ela e a língua da garota quase dava um nó. Manteve-se firme em seu propósito, afinal já estava na porta do motel. Só que chegando lá uma fila horrenda de carros esperava ansiosamente para entrar numa vaguinha. Elvira sentiu uma vontade enorme de ir ao banheiro e Everaldo resolveu pedir para as moças da limpeza que deixassem a menina usar o delas. Para chegar até lá, precisou de toda a ajuda possível do rapaz já que os saltos não foram feitos para gente bêbada.

 

Elvira entrou, fez xixi e achou que só ia voltar a um estado razoavelmente sóbrio se vomitasse um pouco. E coloca dedo e tira dedo da garganta e nada! Nem sinal de uma gotinha sequer que quisesse ganhar a privada. Um desespero tomou conta dela. Saiu do banheiro e sentou-se na primeira cadeira que viu. Sentia-se tão idiota por ter bebido tanto, por estar ali querendo forçar a natureza. Afinal de contas, gostava de Everaldo mas não tinha necessariamente vontade de dar pra ele e mais: nem sequer sonhava que ele seria seu primeiro homem.



Escrito por Kel às 15:49
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A saga de Elvira - parte I

-         De hoje não passa.

 

Este foi o pensamento de Elvira quando pegou o telefone disposta a deixar de vez a vida de reles virgem.

Voltando um pouco a fita, Elvira tinha 18 anos nesta ocasião e vez ou outra se achava “velha demais” para estar naquela condição, de ter ainda seu hímen intacto. Suas amigas já davam mais que chuchu na cerca e ela ainda continuava vivendo de amasso, mão naquilo, aquilo na mão...Digamos que Elvira era uma espécie de romântica tardia, daquelas que ainda acreditavam que a primeira vez deveria ser com uma pessoa que ela amasse e com quem tivesse intimidade. Sonho que foi se esvaziando feito um balão furado à medida que os anos corriam na sua frente e nada de príncipe encantado.

 

Fazia algum tempo que Elvira saía com Everaldo e achou que ele reunia certos atributos que o capacitavam para ajudá-la a deixar a condição de invicta.

 

No sábado, logo pela manhã, o pai a levantou e perguntou se não queria ir assistir ao futebol com ele (o pai da Elvira, apesar de já ter quase 60 anos, adorava uma pelada com os amigos e os primos no final de semana em uma quadra de futebol society). Ela logo concordou, não sem antes pensar rapidamente na roupa que usaria. Afinal, por estes acasos maravilhosos do destino, o Everaldo era do time de seu pai e ela precisava estar bonita. Lá foi ela, não sem antes tomar um banho de rainha, com dinheiro a depilação completa, naquele sábado de outono, trajando calça jeans- novinha em folha -, camisete preto e um sapato de salto da mesma cor. Tudo bem que esta não era a roupa adequada para o local, mas quem se importava? Ela não ia voltar para casa para trocar de vestes, ia dar andamento ao seu plano dali mesmo.

 

Mais uma vez o destino parecia colaborar com os planos de Elvira e seu pai acabou tendo que abandonar o jogo mais cedo, reclamando de uma fisgada na coxa. Foi embora e a deixou para que os primos levassem para casa da tia. Era sábado e ela fazia isso sempre, de passar o final de semana na casa da irmã da mãe. Elvira continuou fissurada no jogo, mais precisamente no seu maior ídolo.

 

Everaldo era boa pinta, tinha pele clara e cabelos castanhos, o que ressaltava ainda mais os olhos azuis reluzentes. Sem falar no belo par de coxas e no peito torneado, que ela reparou bem já que o time dele jogava sem camisa. Aqueles pêlos ralos do peito e ainda o caminho da felicidade que eles percorriam logo abaixo provocaram um certo furor uterino na garota. Não tinha erro, ela estava decidida e ele dava mostras de ser o homem certo.

Falaram-se pouco depois do jogo já que ele tinha de ir trabalhar no hotel. Ele pediu para que ela ligasse mais tarde. E ela ligou.

(isto não era para ser uma novela, mas como o texto é um pouco extenso e cortá-lo deixaria o mesmo um tanto xoxo, resolvi dividi-lo em algumas partes, já que o Uol não disponibiliza um grande espaço para o post, ok?)



Escrito por Kel às 17:26
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