Pés

Quando criança, Rita implicava com seus pés. Olhava-os meio de soslaio para ver se daquele ângulo eles poderiam lhe ser mais simpáticos. Talvez os anos usando bota ortopédica tivessem lhe deixado esta má impressão. Ah, e tinha também o segundo dedo que era maior que o dedão. Isto lhe irritava profundamente mas não dava para cortar o pedaço que sobrava, né? Mas, que culpa teriam os pés de Rita de não serem como o da maioria das crianças? Que culpa ela tinha de tê-los chatos? Por esta razão a menina se tornou escrava das terríveis botas ortopédicas.

Se usar aquelas porcarias já eram um tormento por serem feias (pretas e super masculinas) e pesadas, imagina ter um irmão que também fazia uso delas (o coitado tinha pés e pernas tortas). Era batata: bastava que ambos discutissem e o moleque, sem dó, acertava-lhe em cheio as canelas com aquelas bigornas em forma de sapatos. Rita não tinha mesmo sorte com os pés. Além de ter de se submeter às tais botas, ainda vivia com as pernas cheias de hematomas.

O tempo foi passando e o ortopedista percebeu que aquele treco não resolvia problema de pés chatos e muito menos amenizava o lado dos tortos. Duplamente livre! Rita mal cabia em si de tanta felicidade.

Pôde então usar suas tão sonhadas conguinhas para ir à escola, sandálias de verão para passear e até sapatinhos de verniz, preferido de 9 entre 10 meninas de sua idade.

Já mais crescidinha, Rita começou a reparar nos pés alheios. Não chegava a ter uma tara, era para convencer ainda mais a si mesma de que seus pés realmente eram feios. Quando via os das primas então...queria morrer. As duas parentes mais próximas tinham pezinhos de anjo: gordinhos, dedinhos unidos, tinham “covinha” embaixo, ou seja, não eram chatos como os dela. Sentia-se diminuída. Decidiu então escondê-los. Tornou-se adepta do tênis e dos calçados fechados e sem salto. Fazia-se de menininho mesmo sem querer.

Quando Rita completou 17 anos ganhou de presente da mãe uma sandália de salto alto. Olhou para a sandália, a sandália olhou para ela. Ambas eram tão estranhas mas tão esperadas. Resolveu se arriscar. Suas primas, as dos pezinhos de anjo, viviam em saltos extraordinários dia e noite. Ora, se elas podiam, Rita também ia conseguir. Era questão de treino.

Não só ficou craque em salto alto, como deu adeus aos tênis rotos. Reviravoltas de garota? Pode ser, mas com uma ajudinha de um paquera que a viu de sandálias de lhe disse que ela tinha pés sensuais.

Desde então amou seus companheiros de sempre e nem ligou mais para o segundo dedo que era maior que o dedão. Vai ver era questão de personalidade.



Escrito por Kel às 09:50
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Troco

Sempre admirei as pessoas que respondiam de pronto a algum tipo de impropério ou ofensa recebida. Sabe aquelas pessoas que agem na base do “toma lá, dá cá instantâneo”? Pois é. Bem que tentei ser assim. Apesar de não levar desaforos pra casa, confesso que minha reação a algum tipo de injustiça, às vezes, leva certo tempo. Quando vejo a novela das oito fico chapada nas respostas que estão sempre na ponta da língua dos personagens da trama. Também, com um escritor com tempo hábil para tramar as mais belas retrucadas fica fácil, né?

Mas nem sei porque falei isso aqui...Acho que ando meio sem idéias...

 

Vazio

Numa segunda-feira passei em um lugar que sempre me recebeu com palavras bonitas e frases instigantes e elas não estavam lá. Pelo menos não as palavras novas que eu esperava. Voltei na terça e também não encontrei novidades. Passei na quarta, quinta, sexta, todo o final de semana e nem sinal de vida. Nem um sinalzinho de fumaça.

Concomitantemente visitei outros pontos com a mesma característica: locais que levam à reflexão. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que não apenas o primeiro point mencionado mas tantos outros parecem estar desabitados.

É estranho ter uma “quase-certeza”, a de que sempre que bater vontade vamos encontrar o que tanto queremos nos esperando neste ou naquele lugar, e de repente perceber que as coisas não funcionam mais assim. Dona Decca, seu Marcelo e companhia andam mais atarefados com a vida real do que com os espaços abertos por eles e que tanto me fascinam. Bom para eles. Será que para mim também?

 

Na real

O que estou lendo:

Aritmética, Fernanda Young.

 

O que eu assisti recentemente:

Viva Voz, Matadores de Velhinhas e Confissões de Uma Mente Perigosa (todos em DVD).

 

O que eu conheci de novo:

Uma padoca para lá de supimpa na Barra Funda, chamada Palmeira. Meu amigo, comi uns pedaços de pizza que ficaram para a história. É pertinho do metrô Marechal Deodoro e eu recomendo.

 

O que eu gostaria de fazer de bom:

Trabalhar  (urgentemente!).

 

O que eu gostaria de fazer de ruim:

Matar uma vaca que me deve e não me paga.



Escrito por Kel às 22:02
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