Beijos

Dei meu primeiro beijo de língua com 12 anos, na frente de um cerimitério, perto da meia-noite, enquanto passava férias de fim de ano na Bahia. Com aquela idade eu era quase uma “Betty, a Feia”, só me faltando o aparelho nos dentes - que poucos meses depois veio compor meu visual trash. Gordinha, cabelo desgrenhado, de óculos...Seria um filme de terror se não fosse a ocasião de ser aquele meu primeiro (aliás, primeiros) beijo. Confesso que me senti péssima depois do ocorrido, me achava nova demais para aquilo, e de fato era.

Mas como tudo nesta vida de meu Deus tem um lado bom, depois dessa ocasição passei a cuidar um pouco mais da aparência e não tardou para que o segundo beijo rolasse. O primeiro moço que havia me beijado lá na Bahia disse que eu mandava muito bem (mal sabe, coitado, que ele era o primeiro) e o segundo (pasmem!) se apaixonou por mim. Não correspondi, é claro, por já estar sofrendo de mais um de meus tantos amores platônicos (há poucos meses descobri que este rapaz por quem fui apaixonada “saiu do armário”...bem que aquela mãozinha mole me deixava com a pulga atrás da orelha).

Passados estes primeiros e difíceis passos nos caminhos do “ficar”, a coisa deslanchou. Beijar para mim era mais do que necessidade, era uma questão de honra. Passar mais de um final de semana experimentar uma boca diferente era um sofrimento. E assim a coisa funcionou por muitos anos.

Quando a gente é mais jovem, não tem nada mais gostoso do que beijar. A gente quer beijar todo mundo, toda hora, em todo lugar. Quando mais inusitado é o local, mais instigante. Quando mais bonito o cara, mais motivos a gente tinha para fazer propaganda para as amigas. Eu beijava tanto que às vezes beijava até sem querer, só para não deixar a balada ou fim de semana passar “zerado”.

Esta situação até que perdurou bastante. Minhas amigas todas namorando e eu fugia de um relacionamento mais sério como o demo foge da cruz. E mesmo quando encontrei meu primeiro amor (com 19 anos) não consegui largar a mão de continuar beijando outras pessoas. O namoro acabou e eu continuei nesta vida errante. Veio o segundo namorado. Novo erro.

Hoje vejo tudo o que fiz e me sinto um pouco amargurada por ter magoado algumas pessoas, mas não me arrependo de nada. Pelo contrário. Foi ótimo perceber que tem uma hora na vida da gente que queremos mais é que se dane a quantidade, porque o que realmente importa é a qualidade.

Recentemente passei alguns dias solteira e provei a mim mesma que quando estamos satisfeitos com uma relação, não há espaço para outra pessoa. Não quis beijar outra boca porque nem meu corpo e nem minha alma pediram algo parecido. Eles queriam, sim, aquele beijo...específico...quente. Aquele beijo que é uma espécie de estopim em todo o meu desejo e que só ele sabe me dar...

Hoje eu beijo com amor e recebo amor na mesma medida. Sabe que vocês deviam fazer o mesmo?

Escrito por Kel às 15:17
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