Mulheres de branco.

Tequila, Blood Mary, Gim com limão...Parou por aí. A dor de cabeça era tanta e tão intensa, que Raquel só conseguiu relatar estes três tipos de bebida para a enfermeira que lhe aplicava glicose na veia. Isto sem falar na língua que insistia em enrolar dentro da boca. Com a picada nem se importou, mas quando o líquido completou a primeira volta pela corrente sangüínea, não deu outra: vomitou na roupa, no chão, sujou a enfermeira e a Alice, que foi com ela ao hospital. Aqui vale um adendo: Alice era a única pessoa sóbria na festa e com boa vontade suficiente para deixar a muvuca e prestar socorro à bêbada em questão. Mas se sujar com o vômito alheio era demais! “Puta que pariu, Raquel!”, e saiu sacodindo as mãos e arrastando as sandálias de salto altíssimo até o banheiro.

 

Parecia que na glicose havia algum calmante poderoso porque foi só a Raquel botar a mistura de álcool para fora, ferrou num sono que dava até gosto. Babada, melada, desgrenhada e roncando...Coisa de gente bêbada. Aproveitando a deixa, quando Alice voltou do banheiro e viu tal cena, perguntou à enfermeira se podia deixá-la no Hospital enquanto ia em casa trocar de roupa. A enfermeira disse que sim, desde que a amiga estivesse de volta dentro de uma hora, que era quando o soro iria acabar e, se tudo desse certo, Raquel podia receber alta e voltar para casa. Trato feito, lá foi Alice para o carro. Odiou-se por ser tão prestativa e estar àquela altura cheirando a azedo.

 

Chegou em casa acabada. Tomou um banho rápido, jogou a roupa suja na lavanderia e botou uma bata branca, chinelo rasteiro e voltou ao hospital. Estava tão bonita na sua simplicidade, mas nem se deu conta. Pelo menos até o médico responsável pela medicação da Raquel jogar aquele olhar 43 para cima dela. “Sua amiga está bem, aceitou bem o soro. Podem ir para casa, mas aconselho a maneirar na bedida da próxima vez, senhorita”, disse à Raquel, enquanto batia de leve em suas costas.

 

Alice pegou Raquel pela mão mas não teve coragem de encostar seu ombro ao dela para dar apoio no caminhar. A amiga fedia tanto que dava pena. Só que mais nojo do que pena.

 

No corredor, doutor Arnaldo alcançou Alice para lhe dizer algo. “Felizmente os beberrões podem contar com amigos como você. Aliás, qual é mesmo seu nome?”. Alice respondeu, ouviu mais alguns elogios e recebeu um cartão do doutor. Não que o hospital precisasse de uma enfermeira. Mas toda de branco, cuidando de alguém, àquela hora da madrugada...Doutor Arnaldo sentiu, no fundo do peito, um apelo, um grito mudo. Fetiche ou não, sempre teve queda por mulheres de branco.

 



Escrito por Kel às 09:27
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Um dia...

Um dia você me conta como é que consegue fazer essas coisas.
Como é que consegue se apossar da mente, da alma, do pensamento inteiro de uma pessoa. Sem falar no coração, porque este...é seu e ninguém tasca.
Um dia você me ensina a fazer, querendo e sem querer, uma pessoa ser só sua, ter todos os sentimentos mais puros voltados para uma única direção.
Me ensina, vai? Me conta que mágica, feitiço, bruxaria ou sei lá mais do que você se vale para conseguir esta proeza.
Imagina o que é uma pessoa torta? Sem saber o que fazer num dia lindo de sol, ou numa noite de chuva sem a pessoa que ela mais ama? Na verdade opções existem aos montes, mas nenhuma se compara a doce
estada ao lado de um grande amor.
Um dia você me descreve, letra por letra, palavra por palavra, como agüentar a saudade que maltrada, a solidão que desmonta e a tristeza que reina. Como levar o dia numa boa, sem misturar as estações.
Um dia você me ensina a ser mais firme e a não chorar por qualquer coisa que venha do ser que mais amo. A fazer elas pararem de brotar dos olhos como flores em plena primavera.
Um dia você senta comigo e com toda a paciência desse mundo me diz como faz todas essas coisas. Quem sabe eu não consiga também. Um dia...

Dedicado ao amor que está longe, e ao mesmo tempo tão dentro de mim.



Escrito por Kel às 10:42
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O tempo não passa

Só havia um dia que ela estava “solteira”, mas o fato de não ter vertido uma só lágrima de tristeza já era uma vitória para Larissa. A notícia da viagem do Bruno veio de sopetão, na sexta pela manhã, sendo que o danado já estava com tudo pronto para pegar a estrada no dia seguinte. “Tudo bem, fazer o quê? Afinal de contas ele ia à Floripa ver o irmão, a sobrinha, um amigo que mora lá...e de quebra curtir as belas praias...as belas catarinenses... Nada de paranóia”, repetia a si mesma toda vez que um pensamento deste tipo invadia sua mente. Ou seja, a toda hora. Fazia só um dia. E ainda faltavam quase duas semanas para o Bruno voltar...

Já na tarde em que ele viajou, não deixou a peteca cair e lançou-se a trabalhar de casa mesmo. Revirou a internet atrás de material para suas matérias, conversou com todo mundo que estava online no MSN, mandou e-mails, viu fotos, visitou os bloggs amigos...E ainda era sábado á noite.

A prima a convidou para sair, mas ela estava determinada a ficar em seu lar até o Bruno dar notícias de que chegou são e salvo a seu destino. E de fato ele ligou, por volta das dez da noite. Até dava tempo para sair, ainda era cedo para balada, mas e o pique? “Domingo vai ser uó. Vou ter de pensar em algo”. E ainda era sábado de madrugada.

Acordou quase à uma da tarde. Café tomado, micro ligado, mais convites. E lá foi ela, passar o tempo da melhor forma possível, conversando com gente querida e molhando o bico (porque afinal estava fazendo um calor senegalês naquela terra). “Segundona eu enfio a cara no trabalho...o tempo vai passar mais depressa...”. E ainda era domingo à tarde...

Escrito por Kel às 16:25
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