Autora em Entrevista - parte II

OK, pessoal, desculpem-nos pela demora, passamos por alguns probleminhas técnicos mas já estamos de volta com a nossa entrevistada de hoje, a jornalista Kele Santana.

Falamos há pouco de qualidades e defeitos. Há algum defeito que você abomine nas pessoas e uma qualidade que você adoraria ter mas não teve a sorte de ser contemplada?

Abomino todo e qualquer tipo de preconceito. Não sei se sou uma pessoa aberta demais, mas acho o fim gente que na frente das pessoas se diz muito moderna mas por dentro acha "isso" ou "aquilo" o fim do mundo. E uma qualidade que eu realmente admiro nas pessoas, mas infelizmente não tenho, é paciência. Sou impaciente até o fim. Detesto esperar, sou rigorosa com horários, não gosto de ficar repetindo a mesma coisa mais de uma vez...acho que é coisa do signo e do sangue.

Ah sim, você é filha de baianos, né?

Sim, minha família toda é baiana. Graças a Deus!

Dizem mesmo que baiano tem sangue quente quando o assunto é sexo. Você nasceu em São Paulo  mas as raízes são de lá. Houve alguma influência neste sentido?

Acho que não. Fui "retardada" para muita coisa. Dei meu primeiro beijo com 12 anos lá, na Bahia, mas me arrependi muito na época. Me achava novinha demais. Fui arrumar um namorado só com 19 anos e me livrei da virgindade aos 20. Não me arrependo de nada porque acho que esperei o momento certo.

Um pouco acima da média, é verdade. Você esperou um relacionamento sério ou a idade adequada?

Esperei encontrar alguém que me desse segurança. Morria de vergonha só de pensar que ficaria nua na frente de alguém. Hoje vejo como evoluí nesse sentido.

Como assim?

De como eu era naquela época e como sou hoje. Não tenho encanações quanto ao sexo. Gosto de me masturbar e não tenho vergonha alguma de revelar, gosto de luz acesa, olho no olho, de inventar coisas novas, de sair da mesmice. Acho que sou bem resolvida por isso.

Já se envolveu com pessoas do mesmo sexo?

Beijei uma garota uma vez e repetiria a dose. Talvez até fosse além, mas com um rapaz envolvido. Acho que na hora "H" sentiria falta de um homem. Eu gosto mesmo é do que "balança".

Certo...Namora bastante, Kele?

Namorar, namorar, de fato, apenas duas vezes. A primeira vez muito mal sucedida e a segunda, uma maravilha. Somos muito amigos até hoje, meu ex e eu. Mas desde então não consigo me apegar de fato a ninguém. Sinto até que perdi os escrúpulos para com o sexo masculino. Não tenho remorso em ludibriá-los, traí-los. E acho até que no fundo eles gostam, porque sabem bem com quem se metem logo que me conhecem. Não tenho papas na língua e nem cara de santa. Tenho amigas maluquinhas para namorar e não encontram ninguém. Eu que estou à toa na vida...Mas por hora, estou bem assim. Acabei de me desvencilhar de um rapaz. Até que era bonzinho, mas minha mãe gostava mais dele do que eu, então achei melhor dar um basta.

Como assim? Sua mãe dava em cima do cara???

Não...(risos). Ela colocava o cara num altar, só faltava beijar o chão que ele pisava além de fazer uma verdadeira chantagem psicológica comigo, dizendo que eu tinha de ficar com ele porque o rapaz era "bom, bonito, gentil..." e eu já tenho idade mais do que suficiente, na visão dela, para me aquietar. Coisas de mãe. Mas eu não estava satisfeita. Assim sendo, estou de volta à ativa.

Ok. E com sua família, se dá bem?

Tenho sérias divergências com minha mãe. Até hoje tentamos acertar nossos ponteiros. Felizmente estamos há alguns bons meses sem nos degladiarmos. Rezo todos os dias para nos mantermos assim. Com meu pai me dou super bem, depois de alguns atritos por causa do ex-namorado (dormir fora, peitar o velho para ganhar liberdade...). Meu irmão anda meio brigado comigo mas agora está voltando às boas. Esta é minha família. Tenho muitos primos, primas, tias e os caramba. Mas família, pra mim, é só mesmo este núcleo de 4 pessoas contando comigo.

Agora vamos fazer uma projeção. O que a jornalista espera do futuro?

Fora trabalhar na Veja, espero ter residência própria, ser autosuficiente (ainda dependo dos meus velhos para algumas coisas) e de quebra encontrar alguém. Mas nisto eu não penso de fato. Quero que aconteça se tiver de acontecer. Se não acontecer, paciência.

Não te assusta ou incomoda a idéia de ficar sozinha?

Em hipótese alguma. Acho que alguém vai ter de me amar muito porque sou chata à beça. Quem me vê um dia, ou todos os dias por um curto espaço de tempo pode até me achar bacana, engraçada. Mas conviver comigo todo o dia isso sim eu ainda tô pra ver...(risos).

Bem, nossa entrevista termina aqui. É claro que ainda tem um monte de coisas que a gente queria perguntar para ela, mas a Kele vai contando aos poucos, através das Marias, Joanas, Ritas e outras heróinas que ainda vão desfilar por aqui.

Até mais!



Escrito por Kel às 23:24
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Autora em entrevista

Boa tarde, galera! A entrevistada de hoje é uma mulher um tanto singular. Admirada por alguns, detestada por outros, o que é praticamente impossível é ficar indiferente à sua presença, suas idéias e atos. Pode ser que você já a conheça de outros carnavais, digo, de outros bloggs, comunidades virtuais ou MSN. Mas hoje ela veio aqui disposta a contar tudo – tudo mesmo – sobre ela.

Com vocês, a autora do “Troca-Letras”, Kele Santana.

 

Qual seu nome de batismo:

Kele Santana, escrito assim mesmo. Este nome eu pretendo usar sempre, mesmo se um dia vier a casar e adotar o nome do marido na certidão de casamento. Atualmente uso Kel para abreviar a história

 

Idade?

23 primaveras...bem vividas e um pouco mal dormidas....graças a Deus!

 

Seu signo?

Áries com ascendente em Leão, ou seja, fogo x fogo. Sou praticamente descendente de Nero!!

 

O que a Kel faz da vida?

Sou formada em jornalismo desde 2002 mas desde 2000 exerço a função. Já trabalhei em jornal de bairro, com o Leão Lobo (indo a festas badaladíssimas e cheias de comes e bebes deliciosos), em revistas diversas e atualmente escrevo sobre decoração.

 

Como começou a história com bloggs? Pelo que se sabe você é “viciada” neles.

Uma amiga (a Janaina, minha melhor amiga, colega de facul, ex-chefe...) me fez criar um blogg em 2000, o “É o K@os!!!”. Ele foi hackeado e eu resolvi criar outro pouco tempo depois, o Notíci@s do Submundo, só sobre o sexo e eu. Depois veio o “Fora da Ordem”, basicamente contos, que eu escrevia com pseudônimo, e agora estou no “Troca-Letras”. É tudo novo, estou experimentando algumas coisas para ver qual é realmente a minha praia. Espero que todo mundo que passe por aqui deixe o seu ponto de vista para que eu melhore sempre. Cada blogg representa uma fase da minha vida, uma grande mudança. O Troca-Letras talvez seja o mais importante até aqui porque me sinto mais madura, mais firme para botar as coisas para fora.

 

Qual é a sua grande paixão?

Escrever. Não tem jeito. Se um dia não puder usar as mãos, uso os pés. Se não der, uso a língua, as orelhas, mas o que não dá é para parar, para calar. Sinto que tenho muito a dizer ao mundo ainda.

 

Você tem algum sonho?

Não tenho sonhos, sonhos são devaneios, coisas difíceis ou impossíveis de realizar. Tenho metas. Gostaria de daqui alguns anos, uns 3 mais ou menos, conseguir entrar para o time da Veja. Vou me empenhar para isto, aperfeiçoar meu inglês, fazer outra facul (de História ou uma pós bem bacana) e contar com a sorte.

 

E alguma frustração na vida?

Frustração não sei se é bem a palavra, mas um desgosto tenho sim, mas não me sinto preparada para revelar. Talvez daqui um tempo...

 

Qual o seu maior defeito?

Falar sem pensar. As idéias vêm tão rápidas à mente que as externo sem antes pensar um pouco. E também agir por impulso e depois ter de suportar as conseqüências. Já magoei muita gente sem querer por estes defeitos. Mas, fazer o quê? Se em 23 anos eu não consegui sanar este problema, já desisti de tentar.

 

E qual a maior qualidade da Kel?

Sinceridade, sem dúvida. Claro que ela me traz problemas às vezes, mas ninguém, por exemplo, se envolve comigo sem saber exatamente onde está se metendo. E quem ainda assim quer continuar é porque gosta de correr riscos.

 

Agora vamos fazer um breve intervalo e no próximo bloco nossa entrevista fala sobre sexo, família e futuro. Não perca!



Escrito por Kel às 14:40
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À espera de um telefonema

Segunda-feira, 10 da manhã

 

-         Oi, aqui é a Bete, agora eu tô na rua fazendo sabe-se lá o quê, então deixa uma mensagem que assim que der eu retorno a ligação. Beijos.

-         Bete, é o Luis. Liga pra mim assim que você puder, mas liga mesmo. Tô esperando, ta?

 

Terça-feira, 5 da tarde

 

-         Bete, é o Lu de novo. Liga pra mim, vai? Preciso muito conversar contigo. Só contigo. Acho que você entende, né? Vou deixar o número, caso você tenha perdido, coisa que eu não duvido. Só você pode me ajudar, amiga.

 

       Quarta-feira, 8 da noite

 

-         Nem de dia, nem à tarde e nem á noite. Difícil falar com você, mulher! Se eu tivesse algum outro número pra te encontrar...Bete, tô precisando de você, amiga...Muito...Você nem imagina o quanto. Faz tanto tempo que a gente não se fala. Desde que você se mudou a gente só se fala por e-mail. Mas o que eu tenho pra falar não vai cabar em mensagens virtuais. Pelo amor de qualquer coisa, me liga.

 

        Sexta-feira, meia-noite

 

-         Bete, o que que tá acontecendo? Sua mãe me disse que você não está viajando, não está doente, graças a Deus, e que está sem celular. Já deixei tanto recado que estou cansado de falar sozinho. Este é o último recado. Prefiro pensar que você não tem tido tempo de vê-los do que imaginar que você não quer falar comigo. Justo agora que eu preciso tanto de você...Te espero, mas não demore muito, pelo amor de Deus. Beijos.

 

        Uma semana depois

 

-         Bete, aqui é a Rita de Cássia, mãe do Luis (soluços). Aconteceu uma desgraça...ninguém sabe direito porquê...(mais soluços e choro). O Luis foi encontrado morto no quarto...Deixou uma carta para você e um bilhete pedindo pelo amor de Deus para que te avisássemos da fatalidade. Esperamos por você no velório que será...

 

Quando a Bete ouviu este recado foi como se uma avalanche de punhais fossem cravados em seu peito. Remorso, remorso e mais remorso era só o que sentia. Tinha tanto trabalho no escritório de advocacia que acabava levando boa parte para fazer em casa e por este motivo não podia lugar para o Luis. Sabia que ele gostava de falar e estas conversas atrasariam todo o andamento dos processos. Sentiu-se tão mal que quase não teve forças de ir ao velório. Mas foi. Encontrou dona Rita 10 anos mais velha do que da última vez que a viu e isto não tinha nem um ano. Recebeu a carta das mãos da matriarca, olhou para o caixão e uma vertigem tomou-lhe as forças. Foi levada para o hospital e quando acordou, já no leito, viu-se sozinha. Teve ímpetos de chamar a enfermeira de tanto medo daquela solidão, mas não o fez. Simplesmente pegou a bolsa e viu a carta lá dentro. Abriu o envelope e leu linha por linha, cuidadosamente. Descobriu que o Luis sofria de uma melancolia que já durava meses. Recusava-se a visitar um médico, tinha medo de que ele diagnosticasse depressão e receitasse remédios de tarja preta. Dizia que estes remédios tiravam o sono, o apetite e só serviam para prolongar uma vida que já se extinguia lentamente, uma vida que tinha que se manter apesar de não haver mais vontade.

Luis relatou a agonia de precisar falar com ela e não poder, não conseguir, de nunca a encontrar em casa...Terminou dizendo que era difícil viver num mundo em que os amigos não ligam mais para os outros e que não conseguia mais suportar tanta dor.

Um tiro na cabeça pôs fiz ao sofrimento do Luis e iniciou o de dona Rita e Bete. A primeira por perder o único filho com apenas 28 anos. A segunda pelo peso na consciência que nunca mais a deixou dormir em paz. Agora era ela quem precisava dos remédios de tarja preta.

 



Escrito por Kel às 13:12
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Para o ego

- Aquela filha da put* da Kele escrevia bem, né?

- Pois é. O texto dela era o único que eu não tinha que arrumar. Que eu me lembre, só pedi para ela mesma fazer isto uma única vez em quase um ano.

- Filha da put*...onde ela está agora?

- Na Editora **.

- Ah é? É bem a cara dela mesmo, escrever rapidinho...é pra isso mesmo que ela serve.

(Do meu ex-chefe para minha amigona do peito e ex-editora)

                                                          ______________

- Gostei muito do seu trabalho, você escreve muito bem, parabéns. A Andrea também gostou bastante, então desde já você já está contratada.

(Palavras da minha nova editora no trabalho novo)

                                                           _______________

- Tá dando uma de cronista agora?

- Mais ou menos...estou tentando.

- Mas você está criando coisas legais, Kelinha. Tá mandando bem, nega!

(Do meu ex-namorado sobre o blogg novo)

                                                          ________________

- Desculpa, não resisti.

- Percebi, mas tudo bem.

- É que é muito bom.

- Eu sei. Eu pelo menos adoro.

- E além de tudo você manda muito bem.

- Também sei disso.

(Conversa durante a madrugada)



Escrito por Kel às 11:29
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