Despedidas são tristes. Deve ser por isso que muitos amigos de blogg simplesmente somem sem dar um "tchauzinho". Devem estar querendo evitar aquela chuva de comentários dizendo "fica!". Pode até ser, mas eu prefiro deixar tudo preto no branco. Seria até indelicadeza deixar meus estimados amigos batendo a cara na porta, sem encontrar uma vírgula nova sequer por aqui. E outra: se alguém deixar uma mensagem me pedindo pra ficar vou me sentir imensamente lisongeada. Mas decisão tomada, é ponto pacífico. Então, começo aqui a me despedir.

Durante alguns meses deixei registrada aqui algumas emoções, alguns devaneios e, é claro, muita porcaria. Nem sempre sai algo que valha, mas tentei. Acho que valeu a pena pelo tempo que durou. Mas agora, minha vida real pede certos cuidados impossíveis de serem ministrados estando assim, meio perdida, neste mundo virtual. Então, é adeus.

Aos que tiveram paciência e que até gostaram de ler esses pseudo-contos, o meu mais sincero muito obrigada. Aos que só passaram o olho, sem se aprofundar, valeu. Valeu por tudo, mas principalmente por você, meu amigo, que está lendo esta mensagem e sabe que ela se destina à você. À você Decca, à você, Ady, à você Zé "Rosa", à você Marcelo, à você Kathy, à você Moacir, à você Taci, à você Thiago, à você Dan, à você Janaina e a todos os outros que não está linkados por aqui, mas que vira-e-mexe "zanzam" por este humilde espaço.

Sigo minha jornada com planos mais concretos, mais humanos. Trabalho, família e, é claro, amor, carecem de cuidados hoje e sempre. Agora é hora de agir de forma mais assertiva. O tempo urge! Não deixarei (não desta vez) que a felicidade passe de novo por aqui e me encontre desprevenida, brincando com os fatos como se a toda hora ela fosse passar de novo para me fazer uma visita esperando o melhor momento para se instalar. Esperando que eu amadureça. Agora, tomo as rédeas da minha vida e se o rumo que a ela tomar não for o esperado, não vai ser por falta de esmero.

Amo vocês e a gente se encontra numa dessas esquinas da net.

Beijos,

Kel

"A única cois constante nesta vida é a mudança" (vai sem crédito, mas foi um puta cara quem escreveu isso...)



Escrito por Kel às 14:00
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Conversa de restaurante

Há pouco mais de uma hora.

- Sabe que uma amiga me contou uma história ontem que eu chapei. Disse que a filha de um amigo perdeu um dentinho de leite e a madrasta recomendou que a menina guardasse o dente embaixo do travesseio para que a "Fada do dente" trocasse-o por dinheiro. A garota, nada boba, fez o recomendado e no dia seguinte encontrou R$ 5,00 onde antes estava o dentinho. Pois não é que dias depois o pai da menina entra no quarto e encontra, sob o travesseiro mais dois dentes!

- Nossa, como assim? A menina ficou arrancando os dentes???

- Vai vendo: o pai perguntou à filha onde ela havia conseguido aqueles dentes, ao que ela calmamente respondeu: "Eu comprei". O pai, estupefato, questionou o relato. "É pai, comprei por dez centavos. Agora eu vou ganhar R$ 10,00."

Esse mundo é mesmo dos espertos...



Escrito por Kel às 14:58
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...

O choro é uma forma de sofrimento que sai pelos olhos de forma líquida e irrefreável. E justo naquele dia a menina-moça-quase-mulher esforça-se em vão para conter o pranto. “Mas é que dói”, repete para si, tentando justificar o porquê do ato.


Há dois dias entrou para um negócio da China com o então namorado: ele com o pé e ela...com a bunda. E quando lembra o que aconteceu, instantaneamente, sente pontadas no peito. E no mesmo instante elas rolam, bojudas e alucinadas pela face. Sente, nesta hora, que aconteceu com seus sonhos o mesmo que acontecia com os castelinhos que construía à beira da praia quando era um pouco menor. Enchia as mãos daquela areia, que não era nem ensopada pela água e nem ressecada pelo sol, a “areia meio-termo”, e deixava que as porções daquela mistura perfeita escorressem por um pequeno orifício formado pela mão e então via crescer e tomar forma um belo monumento. Gostava tanto de fazer aquilo que nem percebia quando a maré, sorrateira, subia de mansinho e, de repente, em uma mísera onda destruía o trabalho de muitos minutos. Sentia raiva do mar, mas ela não sabia que o mar não tinha culpa. Era da sua natureza formas ondas que vão e vem ao sabor dos ventos. Também não entendia de onde vinham os ventos, mas entendia o que sentia. Depois a raiva passava e ela continuava a contrui-los.


Agora, com o fim do romance, se sente como quando era garotinha: sente raiva, mas ainda não está pronta para entender a natureza dos homens, nem das paixões, nem dos finais. Ainda precisa aprender, e refazer a lição para finalmente entender como funciona este mundo.


São apenas dois dias na condição de ex. “Vou pensar nele menos amanhã, menos depois de amanhã e quando eu me der conta já não terei pensado um dia todo”. E assim faria. Mas hoje não ia ser possível. Não dava para pular os dias do impiedoso calendário e só de lembrar que dia era sentia mais raiva ainda porque não podia escapar: era 12 de junho e ela estava sem namorado.



Escrito por Kel às 17:34
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Sina

 

São 18:15 e Lídia está com o celular na mão na porta de casa. Comprou roupa nova, sapato, fez escova no cabelo, passou perfume e agora espera um telefonema do Evaristo. Os pés doem um pouco por causa do salto altíssimo (pediu para o atendente da loja a bota com o maior salto da loja e ela comprou) mas vai agüentar firme. Está nesta posição há mais ou menos 25 minutos. Mal sabe a moça que ficará assim por muito tempo ainda. Simplesmente porque o seu amado esqueceu-se do programa que havia marcado com ela e saiu com os amigo para ver o futebol no boteco. E ela tenta, em vão, falar com ele. O celular dele foi esquecido (?) no carro.

Por volta das 20:00, depois da coitada da mãe da Lídia implorar para que ela se sentasse, ela resolveu mais: não ia desperdiçar a produção, ia sair também. Ligou para Damiana e disse que iria passar na casa dela em 15 minutos. De fato, nestes exatos minutos encontrou a amiga já terminando a produção. De lá, seguiram para um barzinho. Forçou-se a beber (não era disto), enquanto contava à amiga o que tinha se dado com ela. Damiana ouvia tudo, rindo às vezes da inocência da amiga. “Os homens são assim mesmo”, consolava. Mas Lídia estava antes de mais nada puta da vida. Onde já viu uma desfeita desta? Que não combinasse nada, então. “Há quanto tempo você conhece o Evaristo?”. “Quando foi que ele cumpriu à risca o que combinou contigo?”. E ao ouvir isto Lídia se deu conta que há exatos 3 anos sua rotina era essa: esperar, esperar, esperar...Damiana bem que tentava fazer a amiga tomar uma atitude. Mas pensa que é fácil? Lídia apenas cumpria o destino de muitas representantes deste sexo. Decidiu parar de beber e ir para casa. Precisava voltar para casa. O jogo ia acabar e Damiana queria terminar mais aquele drinque. Quase arrancou o copo da mão da amiga. Saíram voando do bar. Precisava estar em casa o mais depressa possível. Vai que o Evaristo passa lá mais tarde?



Escrito por Kel às 12:05
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Formatação

 

Preciso de um técnico com urgência. Tenho de formatar minha máquina.

Jogar fora os arquivos antigos que não me servem de nada, a não ser para me trazerem dor.

Necessito excluir programas instalados desde que a máquina funciona. Não preciso deles. Foram úteis num curto período de tempo. Agora, só servem para ocupar espaço nesta memória.

Minha máquina não pode estar tão obsoleta a ponto de não agüentar tal processo.

Preciso com urgência de um técnico. Quero começar este processo ontem.

Queria também um antivírus. Mas para este mal que acomete minha máquina, temo que não haja antídoto.

 

Impressões

Virei caricatura de mim. Aos olhos alheios não passo de uma farsa.

Pode ser. Mas se assim for, acostumei-me tanto ao papel que não conseguirei ser mais a outra. Ou esta que aqui está é a verdadeira, apenas maquiada com fragmentos alheios?

 

Não se consegue nada de bom sem sofrer.

Salve Pagodinho, o mestre.

 

Estou há três noites sem dormir ou há três dias tentando viver?



Escrito por Kel às 15:14
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Onde ando

 

Aproveitando a singela pergunta do sr. Marcelo, aqui estou para fazer um breve relato das andanças realizadas por mim. Depois do dilúvio que se abateu em São Paulo na última terça-feira, o feriado de Corpus Christi veio bem a calhar. Viajei para Matão com meu querido e voltei hoje de madrugada. Ai, que vontade de ficar por lá... Mas já que não dá, o negócio é tocar a bola pra frente.

Antes do dilúvio e da viagem, ainda fiz algumas coisas legais. Faltei na terça-feira para ir ao cartório e já aproveitei o dia para ver uma exposição que ta rolando aqui em Sampa: A Herança dos Czares. Cara, é coisa de louco! Os czares da dinastia Romanov só não comiam ouro e pedras preciosas porque deva indigestão. E enquanto isso...o povo morria de fome. Tudo muito luxuoso, pomposo. Talvez por castigo eles não vivessem tanto para aproveitar do bem-bom. Um czar chegou ao trono com 12 anos e morreu com 15. É a vida...

Da exposição (aproveitando meu dia de vagal) rumei para o cinema para ver Star Wars III. Depois de passar o domingo anterior vendo a trilogia antiga inteirinha, sem intervalo, fiquei empolgada para ver este aí. Na média, até que é bacaninha. Mas nada se compara aos primeiros três, lançados no final da década de 70 e início da de 80.

E só.

 

O que é isso?

Acabo de perceber que sapato de plástico tá na moda. Credo em cruz! Isso deve dar um chulé dos demônios. Sem falar que é simplesmente H-O-R-R-O-R-O-S-O!



Escrito por Kel às 14:43
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O ciso

 

Como esperar juízo de uma garota que aos 20 anos já não tinha mais os quatro cisos? O que restava era rezar para que as sementes do tino, jogadas ao léu pelos pais e entes, tivessem encontrado acolhida no solo fértil (crianças não têm mentes férteis?). Mas depois de tantos anos, quanto mais teria de ser esperado? Já contava 28 voltas ao redor do sol e nada de semente dar sinal de virar árvore, arbusto, planta...não virava nada. Talvez tivesse virado um tubérculo. Aí não tinha mesmo como nego ver nada. Mas ela via. E não gostava de jeito nem qualidade alguma. Achava tudo tão ultrapassado, obsoleto. Talvez se vivesse nos anos 20 aquilo seria perfeito. Mas agora? Tudo balela. Menina casar virgem? Piada da boa! Mulher trabalhar em casa? Ah, qual é? “Minha mãe é uma completa xarope”. A onda agora era dar para todos que se tivesse vontade, assim se um dia acontecesse de juntar os panos de bunda com o de outrém saberia bem o que esperar do safardana (vixe, essa expressão é do tempo da minha mãe...) Vida profissional era algo para se levar a sério, estudar muito, aprender coisas novas sempre. Família é que nem dente, mas de vez em quando morde a língua. Legal, né? E a seu modo, seu juízo foi se moldando da forma que dava, da maneira que achava certo. E quem é que ousa dizer que ela está errada? Eu me junto ao coro. Mais alguém?

 

O ciso II

 

Balada em São Paulo. Quatro solteiras filhinhas-de-papai dispostas a botar pra quebrar. Antes uma turbinada: um ecstasy pra casa uma, um copo de whisky, colírio nas íris (cada uma de uma cor) e balas de hortelã. Apostas nas respectivas carangas, rumam para a casa noturna do momento. Uma, logo de cara, cai na pista de dança e de lá nos braços de um playboy. “Gata, vamos fazer isso ferver”. Um "tiro" no banheiro e a garota só pensa em voar...Duas se empolgam e se agarram no meio da pista. “Está na moda. Talvez elas precisem de ajuda”. Outros dois mauricinhos se juntam e tudo vira quase uma suruba. Saem de lá para a mansão de um deles e acabam a noite numa cama, sem roupa e babando colorido. A última do quarteto fica bebendo no bar, conversando com o barman. As amigas dizem que Detinha tem queda por gente da plebe. Vai embora com o rapaz. Uma conversa tão boa que...ah, melhor não forçar a barra. Hoje não vai acabar em sexo. Deixa o moço em casa, no Jardim Elisa Maria, periferia de Zona Norte de São Paulo. Um beijo no rosto. “Minha mãe gostaria de saber que hoje tive juízo”. Mas era só uma noite. O amanhã sempre vem...não vem?



Escrito por Kel às 10:47
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Acho que não preciso explicar nada.

Olá Kel.

Segue abaixo a minha história baseada nos seus dados. Sei que demorei um pouco, mas não foi desprezo pela sua proposta, muito pelo contrário, queria fazer uma coisa bacana que me agradece e à você.

Espero que goste.

 

Beijo grande.

 

 

José

 

Sob Nova Direção

 

Como um filme. Uma comédia romântica com trilha sonora bacana e tudo. Início de faculdade. Uma menina em seus primeiros passos de mulher. Rapaz maduro, cheio de encantos, mas com uma paixão mal resolvida no passado. Encontro casual, olhares que se cruzam. Corações que aceleram. Passam-se os dias. Vários bate-papos, depois conversas longas ao telefone, depois encontros fora da faculdade, depois beijos e mais beijos apaixonados, depois noites e juras de amor.  Desta vez vai ser diferente, diziam. Tudo conforme o roteiro. Tudo segundo os ditames do diretor Amor. Então chegou o momento do conflito. Não é você, sou eu, disse ele. E partiu. Filmagens paralisadas e nada de final feliz. Um dia eles se reencontraram. Nada de casualidade. Resolveram assumir a direção do filme e deixaram o Amor como produtor. Retomaram as filmagens que não têm previsões de encerramento.


Escrito por Kel às 12:32
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Realidades

Lembra de, ainda menina, servir ao velho pai. Estatura miúda, cabelos desgrenhados, mas uns olhos de farol, que poucas crianças tinham, faziam toda a diferença na pequena Soraia. Na verdade, o pai era seu ente mais querido dentre todos da família de 4 membros, contando com ela. A afeição de ambos era mais que justificada: seu pai era, na verdade, pai e mãe, coisas de família moderna.

Depois de um dia de trabalho, o que seu Arlindo mais queria era chegar em casa, tomar um banho e abraçar os filhos – Soraia e Rubens. Quando o tempo estava mais frio, o velho pai tomava banho, sentava-se no sofá e com os braços cruzados de quem faz força para se esquentar pedia à filha. “Traga meus pés de palhaço”. Soraia nem esperava o restante da frase e corria até o quarto dos pais. Lá no criado mudo encontrava o par de meia e corria de volta. Calçava os pés do pai com tanto gosto que este, depois de tê-los cobertos pela lã fininha, descruzava os braços e agarrava a pequena no colo. Beijava-lhe a face e aconchegava-a no colo. Soraia nessas horas esquecia-se do mundo. Na verdade, seu mundo era apenas aquele momento.

 

***

 

Já crescida, Luana rompeu com tudo que lhe pudesse impor limites. Pai, mãe, irmão, entes nem tão queridos. “Que se fodam!”. Saía de casa na sexta e voltava na segunda à noite, quando voltava. No começo saía para a farra com as amigas, com os amigos. Vez ou outra com ambos e em algumas sozinha. Era voltar e preparar os ouvidos para uma enxurrada de reclamações, advertências e impropérios. Só não estava na rua de vez porque a mãe impedia o pai de jogá-la com mala e cuia para fora de casa. “Ninguém me compreende, só você”. De uns tempos pra cá arranjou um namorado, que jura de pés de juntos amar. E ama. À sua maneira torta. De vez em quando tem vontade de reatar com o pai. Mas logo volta atrás “Que se foda”. E sai de novo.



Escrito por Kel às 16:51
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Eu de manhã

Despertador tocando, hora de levantar. Melhor não pensar muito senão fico na cama. Friozinho é bom pra dormir que só. Corro pro chuveiro com a roupa que separei na noite anterior. Cozinha. Café da manhã. Água na boca, perfume, rímel, batom. Rua! Lembro de quando era menor e meu pai me pedia para calçar-lhe as meias. “Pés de palhaço”, eu inventei. As meias tinham um padrão xadrez que não sei porque me davam esta impressão. Chego ao metrô depois de 15 minutos de caminhada. Gosto de andar, ainda mais com este tempo. E para entrar no vagão? Uma luta. Expremo-me daqui e de lá. Consegui um mísero espaço. Não dá pra ler, tem muita gente amontada em cima de mim. Hoje sujei de batom a camiseta de um rapaz. Ele nem reparou mas se tiver namorada...talvez...Estação Sé. Sento e abro “As Meninas”. O livro é uma viagem! Meu bem passou ontem à noite em casa. Uns choppinhos, beijos e uma rapidinha no carro fizeram-me dormir como um anjinho. Sinto-me outra. Gosto tanto desse menino. Queria casar. Depois que pagar minhas dividas, quem sabe? E se ele não quiser? E se não me amar mais? Preciso emagrecer uns quilinhos. Me chama de gostosa toda hora, mas se eu perdesse alguns quilinhos...Barra Funda. Pego o primeiro trem. Sossego total, vou sentada e lendo. Essas meninas do livro são ótimas. Uma drogada, uma militante (a história se passa na época da ditadura) e outra uma filhinha de papai que morre de amores por um homem casado e pai de cinco filhos. Quero ter três: Pedro, Antonio e Luiza. Se minha barriga virar um pano de chão de tanta estria o pai dos meus filhos ainda vai me amar? Ou vai procurar uma ninfeta cheia de furor uterino e me deixar? Vou viajar esse final de semana e...Presidente Altino. Hora de pegar o segundo trem. Esse é mais cheinho, mas de vez em quando eu sento no assento reservado. Gosto de ler sentada. Preciso olhar o e-mail com as coordenadas da pousada onde ficaremos. Uma viagem que veio bem a calhar. Preciso desopilar tudo. Quero aproveitar tudo. Quero me aproveitar dele e que ele se aproveite de mim. Finalmente usaremos o presente que ele comprou no sex shop. Será? Está tão bom. Vila Olímpia. Amanhã tem mais Lorena, Ana Clara e Lia. Agora é hora de ecoturismo, animais, MSN...Enfim, o trabalho!



Escrito por Kel às 10:41
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Mais um

Ainda na semana passada recebi a obra de Ady Cavalcante. Devido à correria, nem deu pra colocar no ar. Porém, de uma só vez, me redimo pela demora e agradeço à moçoila. Ady me contou que se sentiu “amarrada” pelas informações e resolveu deixar algumas pistas de lado e criar. Sem amarras. Ficou tão compatível com a atual conjuntura que vale o registro: a parte masculina da história hoje é educador. É mole? Beijo, morena!

 

Hora Certa

(Ady Cavalcante)

 

Professor jovem, mas muito competente. Entre as alunas era quase uma unanimidade.

Não era bonito, mas sua segurança chamava a atenção. Os olhos também. E ela bebia seus olhos, suas palavras. Era atencioso com todos, mas era pra ela que olhava quando estava sorrindo. Cruzaram-se por acaso na cantina. Tensão no ar. Faíscas. A conversa fluía e pedia continuação. Pedia mais. Ele tinha medo do envolvimento. Ela não quis forçar a barra e esperou a hora certa. Até que um dia apareceu um outro professor, substituto. Decepção. Saudade. Muito tempo depois o reencontro. Ela trabalha numa editora. Ele, agora, é escritor. Estão escrevendo juntos, uma nova história. Sem pensar no final.

Escrito por Kel às 17:15
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Outro resultado

Depois da Decca, Moacir Caetano deu o ar da graça na minha caixa de e-mails. O que dizer? Agradeço do fundo de coração e deixo que os que por aqui passam os olhos se emocionem também.

 

HISTÓRIA DE DOIS

(Moacir Caetano)

 

Ele, vinte e nove anos

Já havia desistido

De seu próprio coração

Vários namoros fracassados

casos mal resolvidos

confusão

 

Em seus poucos vinte e um anos

Ela ainda não esperava

Um amor tão repentino

Em seu corpo tão menino

 

Um dia se encontraram

Em uma esquina qualquer

Um coração de homem

Um corpo de mulher

 

Ela já desconfiada

Ele pura provocação

Ela ensimesmada

Não sabia o que dizer

Nem disse sim

Nem disse não

 

Ele, macaco velho

Fez que não entendeu

Ela, curiosíssima,

Não sabe o que aconteceu

Até o momento preciso

Em que do encontro dos sorrisos

O amor enfim nasceu



Escrito por Kel às 10:32
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Ah, a entrega enfim...

Momentos de eternidade

A esperavam certamente...

 

Mas algo saiu errado

E a solidão anterior

Impôs-se novamente...

 

Até que o tempo esquivo

Decidisse pelo retorno

Transformando em chama o morno...

Escrito por Kel às 10:30
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A idéia

 

Um dia, acordei com uma idéia danada na cabeça: saber como ficaria uma história, verídica, contada por pessoas que não tinham acesso a detalhes, apenas à algumas informações dadas por mim. Queria ver como ficaria em prosa, verso, em prosa-verso, enfim, em outra linguagem que não a minha. Forneci um título (mais uma sugestão do que qualquer outra coisa) e estas pistas:

História de dois
Ela, 21.
Ele 29.
Ela na faculdade.
Ele a encontra.
Ela desconfia (de quê?).
Ele provoca.
Ela quer saber mais.
Ele faz que não deixa.
Enfim, o amor.
Ela se entrega.
Ele...tenta.
Desfez-se.
O tempo levou...e trouxe de novo.

A proposta

 

Resolvi convidar quatro profissionais da palavra para tal tarefa. E foram eles: Decca, Moacir Caetano, Ady Cavalcante e Zero S/A.

 

Os resultados

 

Olha só que curioso: Decca foi a última a responder e a primeira a enviar seus lindos rabiscos para cá. Nem preciso dizer que é uma honra e um verdadeiro deleite ter sua verve poética aqui em meu blogg. Você mora em meu coração, menina!

 



Escrito por Kel às 17:22
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Estréia

Foi mais ou menos assim...

 

Desde as primeiras horas da manhã daquele dia, dona Maria Edileuza sente algumas dores na região do ventre. No auge de seus 34 anos ela espera seu segundo bebê. Com esta idade é considerada “idosa” para ter um filho. No ano em questão, qualquer mulher com mais de  30 anos de idade é considerada velha para ser mãe e a gravidez classificada como de risco. E para melhorar a situação, dona Edileuza sequer respeitou o resguardo. Voltou da licença-maternidade grávida. Isso mesmo: do nascimento do primeiro filho à segunda gravidez não decorreram nem 3 meses. A explicação foi que ela não podia tomar pílula enquanto amamentava, e seu Salvador não perdoou.

Estamos em 1981 e nem ela, nem o marido puderam pagar por um exame de ultrassonografia para saber o sexo da criança. Como não o casal não dispõe de muitos recursos, mesmo que a criança seja outro menino, dona Edileuza vai ter de se conformar em passar pela vida sem saber o que é ter uma filha mulher.

Levantam-se da cama. É domingo e toda a família se prepara para o batismo de Luis Fernando, primeiro filho do casal. A cerimônia está marcada para as 10 da manhã. Assim que acabar o sermão do padre, todos irão para a casa da irmã de dona Edileuza para um churrasco de comemoração.

Já na igreja, dona Edileuza sente que está chegando a hora de trazer ao mundo seu segundo rebento. Comenta com Salvador que está sentindo muitas dores e que não tarda para ele ter de levá-la ao hospital.

No altar, a futura mamãe se contorce de dor, mas agüenta firme. Precisa batizar o menino. Terminada a cerimônia, é hora de ir ao hospital, mas não sem antes ligar para o obstetra e avisar que a criança está para nascer. Novidade no front: o doutor está na praia aproveitando os últimos dias de calor com a esposa. Garante que chegará a tempo e pede para que o casal se encaminhe à maternidade.

Chegando lá, dona Edileuza é colocada no soro para agüentar até a chegada do médico. Mesmo com as contrações, a mulher não tem dilatação suficiente para dar à luz por parto normal. Terá de ser uma cesária. O bom é que já com a barriga aberta fica mais fácil ligar as trompas. Só resta rezar para que seja uma menina. O casal quer tanto...

Uma da tarde o médico chega ao hospital. Corre para a sala de cirurgia e encontra a paciente já anestesiada.

-         A senhora sabe, dona Edileuza, que a ligação de trompas é irreversível?

-         Sei, sim senhor.

-         E se este bebê que acaba de nascer for um menino?

-         Paciência...não posso ter outro filho.

-         Felizmente a senhora é uma mãe de sorte. É menina!

-         Graças a Deus...(e chora)

Era dia 19 de abril e o mundo era testemunha do nascimento desta que vos escreve.

 

Parabéns pra mim.



Escrito por Kel às 10:20
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